EBIT X EBITDA
- Luis Valini Neto

- 26 de abr. de 2020
- 5 min de leitura
Atualizado: 8 de ago.

O que é EBIT (LAJIR)
EBIT (Earnings before Interest and Taxes) ou LAJIR (Lucro antes dos Juros, Imposto de Renda e Contribuição Social) é um indicador de resultado encontrado na Demonstração de Resultado de uma Empresa conforme modelo abaixo:
Ebit x Ebitda
EBIT = Receita Líquida − Custos − Despesas Operacionais
(equivalente ao Lucro Operacional, antes de juros e impostos)
Margem EBIT (%) = (EBIT ÷ Receita Líquida) × 100

O EBIT expressa o resultado que a empresa obteve, após a dedução de abatimentos, custo dos produtos e serviços vendidos, despesas com vendas e administrativas desembolsáveis ou não. Equivale ao Lucro Operacional. O principal objetivo é avaliar qual o resultado a atividade principal da empresa deixa para seus acionista. Mede a capacidade operacional de geração de resultado de uma organização e também de gerenciamento de seus custos e despesas.
O EBIT em R$ da demonstração acima foi de R$ 259.750.
O EBIT percentual é calculado tomando-se como base a receita líquida de vendas:

Quanto maior for o EBIT percentual melhor será para a empresa. Quando o EBIT percentual melhora, por exemplo, saindo de 15% para 18% em um determinado período, esta melhora pode ser decorrente de alguns fatores como:
Aumenta da receita de vendas proveniente do aumento de itens comercializados no mercado;
Repasse de aumento de preços;
A empresa passar a comercializar um mix de produtos de maior valor agregado;
Redução dos custos dos produtos vendidos (Custos Variáveis);
Redução de custos fixos;
Melhoria de eficiência operacional das unidades produtivas;
Redução de despesas operacionais administrativas;
Redução de despesas comerciais fixas e variáveis.
Uma redução do EBIT, pode ser decorrente dos fatores anteriores expostos, mas com efeito negativo.
O que é EBITDA (LAJIDA)
EBITDA (Earnings before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization), ou LAJIDA (Lucro antes dos Juros, Imposto de Renda e Contribuição Social, Depreciação e Amortização). É uma métrica útil para entender a capacidade que uma empresa tem de gerar fluxo de caixa, e, para medir seu desempenho operacional, visto que, para seu cálculo desconsideramos despesas sem efeito financeiro como a Depreciação e Amortização.
EBITDA = EBIT + Depreciação + Amortização
Margem EBITDA (%) = (EBITDA ÷ Receita Líquida) × 100
A vantagem de usar o EBITDA para avaliar o desempenho de uma empresa, é que ela é neutra em relação à sua estrutura de capital. Assim, não é afetada por decisões como como uma empresa financia seus passivos (capital de terceiros, patrimônio líquido, ou uma mistura de ambos). Além disso, também exclui despesas não-caixa como depreciação e amortização que são calculadas sobre seus ativos imobilizados e intangíveis.
A métrica EBITDA é comumente usada como proxy para o fluxo de caixa. Ela pode proporcionar aos Analistas Financeiros uma estimativa rápida do valor de uma empresa, quando, comparamos o seu EBITDA com o EBITDA de empresas comparáveis no mercado, e, que possuam índices de múltiplos de EBITDA já estabelecidos.
Além disso, quando uma empresa não está tendo lucro, os investidores podem recorrer à análise do EBITDA, para avaliar se, apesar da não lucratividade, sua geração de caixa é positiva. Muitas empresas de private equity usam essa métrica porque é muito boa para comparar empresas semelhantes no mesmo setor. Os empresários usam-na para comparar seu desempenho com seus concorrentes. O EBITDA percentual é calculado tomando-se como base a receita líquida de vendas:

EBIT X EBITDA - Infográfico
Diferença entre EBIT e EBITDA

Quando usar EBIT e quando usar EBITDA
EBIT e EBITDA não são intercambiáveis — a escolha depende da intensidade de capital do setor e do que se quer responder. Em negócios com ativo fixo pesado (indústria, energia, telecom, transporte), a depreciação é custo real e recorrente: ignorá-la, como faz o EBITDA, infla a percepção de lucratividade. Nesses casos, o EBIT é o indicador mais honesto. Já em negócios asset-light (tecnologia, serviços, consultoria), onde depreciação e amortização têm peso baixo sobre o resultado, o EBITDA funciona bem como proxy de geração de caixa operacional e facilita a comparação entre empresas com estruturas de capital diferentes — por isso é o múltiplo mais usado em processos de M&A.
Na prática, o ideal é usar os dois em conjunto: o EBITDA para comparabilidade e velocidade de análise, o EBIT para não perder de vista o desgaste real dos ativos.
Situação | Indicador recomendado | Por quê |
Comparar empresas de setores diferentes ou países diferentes | EBITDA | Neutraliza efeitos de estrutura de capital e regime tributário |
Avaliar empresa em setor capital-intensivo (indústria, transporte, energia) | EBIT | Depreciação é custo real recorrente; ignorá-la distorce a lucratividade |
Calcular múltiplo de valuation em M&A | EBITDA (EV/EBITDA) | Métrica mais usada no mercado para esse fim; comparável entre alvos |
Avaliar empresa asset-light (tecnologia, serviços) | EBITDA | Depreciação/amortização tem peso baixo; EBITDA ≈ EBIT na prática |
Analisar empresa sem lucro contábil, mas com operação saudável | EBITDA | Mostra se a geração de caixa operacional é positiva mesmo com prejuízo líquido |
Medir o resultado operacional "real", incluindo desgaste de ativos | EBIT | É o mais próximo do lucro operacional contábil completo |
Negociar dívida ou avaliar capacidade de pagamento (covenants) | EBITDA | Mercado de crédito usa EBITDA como proxy de caixa disponível para serviço da dívida |
Tomar decisão de reinvestimento em ativo fixo | EBIT (combinado com capex real) | EBITDA sozinho pode mascarar a necessidade de reposição de ativos |
Limitações do EBITDA — o que ele não mostra
EBITDA não é uma métrica reconhecida pelas normas contábeis (CPC/IASB não a definem como medida oficial), o que significa que cada empresa pode calcular seu "EBITDA ajustado" com critérios próprios — abrindo espaço para distorções na comparação entre companhias.
Outras limitações relevantes:
Não considera capex: o EBITDA ignora o investimento necessário para repor os ativos que estão sendo depreciados. Como já alertou Warren Buffett, depreciação não é um truque contábil nos setores que dependem de ativo fixo pesado — é um custo real.
Não reflete a estrutura de capital: dois EBITDAs idênticos podem esconder níveis de endividamento e despesa financeira completamente diferentes.
Pode mascarar problemas de geração de caixa real quando a empresa tem capital de giro deteriorado, mesmo com EBITDA positivo.
Por isso, EBITDA deve sempre ser analisado em conjunto com o fluxo de caixa livre e o nível de capex da empresa — nunca isoladamente.
No Brasil, embora o EBITDA não seja uma medida contábil oficial, sua divulgação voluntária por companhias abertas é regulada pela CVM. A regra foi originalmente estabelecida pela Instrução CVM nº 527/2012 e está hoje consolidada na Resolução CVM nº 156/2022 (vigente desde 01/08/2022, sem alterações materiais de conteúdo). A norma exige que o cálculo do LAJIDA/LAJIR não exclua itens recorrentes, operacionais ou de operações continuadas de forma discricionária, e que a divulgação venha acompanhada de conciliação com as demonstrações contábeis — exatamente para conter o tipo de manipulação de 'EBITDA ajustado' mencionado acima.
Faq: Perguntas frequentes sobre EBIT e EBITDA
O EBITDA é sempre maior que o EBIT?
Sim, na grande maioria dos casos, porque o EBITDA soma de volta a depreciação e a amortização, que normalmente são valores positivos.
Qual indicador usar em um processo de M&A ou valuation?
Depende do setor. EV/EBITDA é o múltiplo mais usado em transações de M&A por neutralizar diferenças de estrutura de capital entre empresas. Em setores capital-intensivos, EV/EBIT complementa a análise por capturar o peso real da depreciação.
O EBITDA pode ser manipulado?
Sim. Como não é uma métrica definida pelo CPC/IASB, empresas calculam EBITDA ajustado" com critérios próprios, o que exige atenção do analista às premissas usadas.
EBIT e EBITDA substituem a análise de fluxo de caixa?
Não. Nenhum dos dois considera capex, variação de capital de giro ou amortização de dívida — são indicadores de desempenho operacional, não de caixa disponível.
Como calcular a margem EBITDA?
Margem EBITDA = (EBITDA ÷ Receita Líquida) × 100.
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Luís Valini





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